Design e Artes

Arquitetura enxaimel: um pedacinho da Alemanha no Brasil

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Hoje, 25 de julho, é comemorado o Dia da Imigração Alemã no Brasil. Este povo europeu que migrou para o país no século XIX influenciou muito as tradições, cultura e comportamento dos moradores do sul do Brasil.

Os alemães vieram para o país em busca de oportunidades, já que a Alemanha passava por dificuldades financeiras. Eram, em sua maioria, camponeses insatisfeitos com a perda de suas terras, ex-artesãos, trabalhadores livres e empreendedores desejando exercer livremente suas atividades, pessoas que perderam tudo e estavam em dificuldades, que eram “contratadas”por meio de incentivos para administrar as colônias ou, ainda, que eram requisitadas pelo governo brasileiro para trabalhos de níveis intelectuais ou participações em combates. Foram enviados ao sul com o intuito de colonizar a região, que estava despovoada e vulnerável a uma invasão estrangeira.

Desde então, fixaram por aqui suas raízes e remontaram a vida que viviam por lá. A arquitetura enxaimel, um dos traços mais visíveis da colonização, é marca registrada de diversas cidades catarinenses e gaúchas. Esse tipo de construção caracteriza-se por seus grandes telhados e pela madeira aparente na fachada. Além de fortes, as casas eram baratas e de construção simples, mas para adaptar a técnica construtiva ao clima local, foi necessária a implantação, por conta da elevada umidade, de uma estrutura feita de pedra que sustenta as construções evitando que a madeira molhe.

Enxaimel quer dizer enchimento. Primeiro, era construído o esqueleto da casa, todo de toras grossas de madeira. Entre as vigas verticais eram colocadas as horizontais e, nas extremidades das paredes, algumas em ângulo, para evitar inclinação. Pronta a “caixa”, os espaços eram completados com materiais disponíveis de acordo com a região: no Rio Grande do Sul, há fechamentos com taipa, barro socado, tijolos maciços rebocados e até mesmo pedra grês cortadas. Em Santa Catarina, há maior ocorrência de tijolos maciços sem uso de reboco.

O Vale do Itajaí é o local que concentra a maior parte das construções em estilo enxaimel. Nas cidades de Indaial, Blumenau, Joinville, São Bento do Sul, Timbó e Pomerode, para onde se olhe será possível avistar algumas dessas construções, que até hoje influenciam a arquitetura regional. Um desses exemplos é o prédio do Restaurante-Escola do Senac, em Blumenau. Apesar de não apresentar a característica principal do estilo enxaimel (as toras de madeira), é uma construção de 1930, ainda bastante influenciada pela colonização alemã. Inicialmente projetada para ser uma maternidade, sem a aparência de um hospital, a casa serviu para este fim até 1951, quando foi transferida de local. Desde então, o prédio abrigou diversos restaurantes que serviam a típica comida alemã e tornou-se ponto turístico da cidade. Hoje, o local é sede de diversas entidades ligadas ao comércio de Blumenau e também do Restaurante-Escola do Senac.